O Código Secreto das Estrelas



Leio nas entrelinhas do teu sorriso
rumores, canções que falam em pássaros.
Teus passos soletram pelas calçadas
sussurros de sombras por entre pétalas secas.

Teu amor, miríade de galáxias sem sintaxe,
hoje tateia as lágrimas que não escorreram,
enquanto o tempo traça no vidro da memória
confusas lembranças que mordem ferozes.

Falo de sonhos como quem tange nuvens,
e releio tardes de primaveras sangrentas
em que teu calor se espalhava feito pólen,
decifrando o código secreto das estrelas.

Hoje sei que tudo passa, embora eu ainda durma
com memórias teimosas e perfumes apócrifos.
Recordo com gosto doce de espelhos na boca
tua pele, teu sexo, teu cheiro, teu sol.

O tempo é turvo. O tempo é turvo.
Mastiga utopias, cospe sementes de névoa,
esparge fagulhas de luz no passado
- brinquedo mimado nas mãos do acaso.

Mas não quero mais ser racional.
Deitado dentro de mim, hoje evoco
o momento único em que te encontrei,

e já começava a te perder.


| Anterior | Índice | Próximo |

São Paulo - novembro 1999/ janeiro 2000

© Alexandre Inagaki
ainagaki@uol.com.br