Baladas Banais (letra sem música) Baladas banais no meu walkman
Músicas que tocam até enjoar
Trilha sonora do meu tempo
Bandas banais para belas banais
Todas de jeans e camiseta branca
Prontas para gritar pelo novo ídolo
Belas, tão belas as nossas barrigas
Berços de úlceras e esplêndidas lombrigas
A aeróbica me deixou ainda mais burro
Ela vomitava tudo o que comia
Morreu jovem mas deixou belo cadáver
A greve dos lixeiros alimentou os mendigos
Hoje dei algumas esmolas e me senti melhor
Cegos, tão cegos os nossos padres
Reumáticos, apáticos, pragmáticos
Ordenam que nasça o bebê
Para que seja escarrado numa praça
E viva esperando por dias que nunca virão
Meus heróis estão morrendo de aids
Dizem que é a vontade divina
A greve dos médicos matou o velho
A greve dos motoristas atrasou a todos
O estupro da negra não saiu nos jornais
Ninguém sentiu falta da notícia?
Epifanias sentados nas privadas
Nossas vidas acabam em melosos epitáfios
Explodem sóis em minha epiderme
E o espinafre do popeye me deixou ainda mais burro
O fura-greves chora de fome mas não perde o emprego
O burocrata não gosta nem desgosta do serviço
Comadres felizes fofocam no metrô
Corações e vidros fecham-se nos sinais
Vou ganhar muito dinheiro
Com a franquia da igreja universal
Vou instalar um videowall no meu quarto
Vou compor meu réquiem antes de me suicidar
Vou pensar duas vezes e não agir
E ter um sonho estúpido esta noite
Em que inimigos dão-se as mãos cantando "imagine"
Baladas banais, vidas iguais
Ninguém entendia o que dizia a música
Mas todos sabiam a letra de cor
Sabiam a letra de cor
| Anterior | Índice | Próximo |
São Paulo, 10 de outubro de 1997
© Alexandre Inagaki
ainagaki@uol.com.br